Vou tentar ser breve para não cansar...
Em função de toda a aprendizagem e dos vários factores já várias vezes enumerados apetece-me dizer que
a minha primeira maratona foi a Nº0, aquela que serve de teste ou de modelo, e esta sim a Nº1, a minha 1ª Maratona no verdadeiro sentido da palavra.

Objectivo principal, acabar (claro) da melhor forma possível, mas desta feita a vertente
sub-4h estava bem presente.
Este ano preocupei-me em fazer algumas meias-maratonas sem ser em modo de treino (um dos erros do passado) e o plano de treinos era bem mais agressivo, de tal forma que tive que reduzir alguns treinos e distâncias para o moldar à minha realidade física.
Quase à última hora juntou-se o Fernando. Se em provas mais curtas sempre foi uma excelente ajuda, neste caso havia a dúvida se estaria à altura do desafio visto que os treinos específicos dele foram... 0. Mas, pelo menos, iria ter companhia, a companhia que não tive no ano passado (outro dos erros).
O plano estava definido, 5:30 min/Km até dar e depois logo se via.
O dia estava excelente, excelente demais para correr. Apesar da manhã fresca na hora da partida o sol já “picava”.
O início foi lento em função do aglomerado inicial mas rapidamente engrenámos a mudança certa e o difícil foi manter o ritmo sem embalar.
O ambiente era fantástico e a paisagem divinal. Além da vista para o rio gostei bastante dos desvios ao Casino do Estoril e à Câmara de Oeiras, com a passagem pelo Jardim de Oeiras (?). O desvio para o passeio marítimo na zona de Caxias até à Cruz Quebrada também serviu para fugir à “monotonia” da Marginal, com alguns jovens com bandeiras de vários países, julgo que estivessem representadas as nacionalidades presentes na prova.
Os quilómetros passavam rápido e sem darmos por isso estávamos em Algés, a passar o pórtico da meia-maratona. Já só faltavam 21 Km.
Só que estes 21 Km não iriam ser nada fáceis. O percurso, salvo raras excepções, tornou-se monótono e, aliado ao cansaço, iria tornar-se complicado gerir mentalmente todas estas dificuldades.
Mas o que é facto é que continuávamos inabalados, o ritmo mantinha-se, o plano de alimentação estava a ser cumprido à risca (mais um erro no passado) e a hidratação era a ideal.

Nota positiva para os abastecimentos. Pelo menos até à nossa passagem a abundância reinava. Distribuídos pelos vários abastecimentos houve água, isotónico, laranjas, bananas, géis e muita boa disposição na entrega dos abastecimentos e na assistência aos atletas.
Já depois da passagem pelo Cais do Sodré o ambiente animava novamente. Apesar de algumas zonas de empedrado os cerca de 3 Km na zona da Baixa serviram para levantar a moral. E mais levantou quando aos 33 Km estávamos ainda abaixo das 3 horas de prova, ou seja, tínhamos 1 hora para fazer 9 Km. Estávamos bem, e apesar do Fernando já estar com mais queixas do que eu (naturalmente) ia conseguindo manter-se.
O ritmo manteve-se quase como um relógio suíço até ao abastecimento dos 35 Km, altura em que um atleta parou à minha frente para comer e eu tive quase que parar para chegar aos alimentos sólidos.
Já não consegui voltar ao ritmo que trazíamos, um ritmo naquela altura quase automático. Mas não me preocupou. Em função da margem que tínhamos os 6 min/Km naquele troço era mais que suficiente para atingirmos o nosso objectivo.
Por volta do Km 40 entrámos finalmente no Parque Expo e a abundância de apoio e caras conhecidas voltou a animar-nos. Pessoal que foi apoiar bem como alguns atletas que tinham feito a mini ou a meia-maratona e que ainda por ali andavam a incentivar os resistentes.
Passaram rápido esses 2 Km e ainda fizemos o último novamente nos 5:30 Min/Km.
Cortámos a meta com 3h55m19s, menos 29 minutos que a outra maratona (a tal Nº0), com a sensação de dever cumprido, de objectivo alcançado e com a emoção à flor da pele.
Terminámos razoavelmente bem e ainda deu para cumprimentar várias caras conhecidas que por ali andavam.
A organização esteve excelente e nada tenho a apontar.
E esta sim, foi a minha Maratona, sem surpresas, sem nunca ter andado a passo nem ter tido a tentação de caminhar, o que me deixa satisfeito com o plano de treinos que adoptei e que resultou em pleno.
E se o Fernando fez o que fez sem treinos específicos imaginem se treinasse...
O amasso não foi muito duro comigo e a recuperação está a ser rápida. Além de umas unhas amassadas que nem dei por elas na prova, nada mais me incomodou.
No final mas não menos importante não posso deixar de referir o apoio que tive da família em vários pontos do trajecto (também com um plano altamente elaborado de localizações e tempos de passagem) e que acabou por se estender ás caras conhecidas (e não só) que passavam mais ou menos na mesma altura que nós.
E a próxima? Não sei, não tenho pressa, mas será com certeza só em 2014. Sevilha, Porto, Lisboa... logo se verá.
Mais fotos da prova
aqui.
Boas corridas!!!